Falando de Mercado: Fretes de grãos atingem recorde durante colheita de milho

Author Argus

Com a alta do preço do diesel, a alta demanda pelo serviço de transporte e uma boa expectativa para a segunda safra de milho, os fretes de grãos têm registrado valores recorde. Isso vem criando um cenário desafiador para a logística do país, elevando de maneira significativa os custos.

Junte-se a Camila Dias, diretora da Argus no Brasil, e João Petrini, repórter da publicação Argus Brasil Grãos e Fertilizantes. Eles conversam sobre as variações nos preços de frete rodoviário com origem no estado de Mato Grosso e os valores que vêm sendo praticados em corredores de exportação.

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Transcript

CD: Olá e bem-vindos ao ‘Falando de Mercado’ – uma série de podcasts trazidos semanalmente pela Argus sobre os principais acontecimentos com impacto para os setores de commodities e energia no Brasil e no mundo. Meu nome é Camila Dias, e eu sou diretora da Argus no Brasil. No episódio de hoje eu converso com João Petrini, repórter da publicação Argus Brasil Grãos e Fertilizantes, sobre a alta dos fretes de grãos com origem no estado de Mato Grosso em meio ao escoamento da segunda safra de milho, pressionando custos logísticos.

Bem-vindo, João.

JP: Obrigado, Camila. É um prazer estar aqui.

CD: João, em que contexto essa alta dos grãos vem acontecendo no país em 2022?

JP: Então, Camila, importante ressaltar que Mato Grosso é o maior produtor de milho do Brasil e a segunda safra do grão do estado, também chamada de safrinha ou de inverno, é responsável pela maior parte da produção do país.

Em 2021, a safra de milho sofreu com a seca e se desenvolveu fora da janela ideal, fazendo com que atingisse uma produção de 32,5 milhões de toneladas, em comparação com 36,3 milhões de toneladas inicialmente previstos na época. Agora, em 2022, condições mais favoráveis levaram estimativas de produção em Mato Grosso para 39,2 milhões de toneladas, o que acaba provocando uma maior demanda por transporte.

CD: Perfeito, João. E além disso, existem outros elementos que contribuem para maior demanda e, consequentemente, fretes mais caros?

JP: Existem sim outros fatores, Camila. Por exemplo, a oferta brasileira de milho atende à demanda de ração do setor de proteína animal, especialmente de aves, e de usinas de etanol. Isto aumenta a concorrência não só para o grão, mas também para seu transporte, já que os preços de frete para o transporte de exportação tendem a subir para atrair mais motoristas.
Outro ponto é que neste momento de colheita, muitos caminhões vão até as lavouras para realizar o transporte do milho até os armazéns. Isso reduz a oferta de veículos para os corredores de exportação e faz com que fretes aumentem em uma tentativa de atrair mais motoristas.

CD: Certo, João. E o preço dos combustíveis, também entra nessa equação do mercado de fretes, não é mesmo?

JP: Com certeza, Camila. Os preços mais altos do diesel estão pressionando o custo logístico para exportar milho. O combustível é um componente fundamental para a formação do custo de frete do grão e já acumulou um aumento de preço de 68pc no primeiro semestre de 2022. A alta dos preços de combustíveis tem sido um dos principais fatores por trás do avanço dos preços para o consumidor no Brasil.

Importante também explicar que a Petrobras utiliza desde 2016 uma política de preços chamada PPI, ou Preço de Paridade Internacional. É um índice que se baseia nos custos de importação, incluindo transporte e taxas portuárias. Também leva em conta a variação do dólar e do barril de petróleo, uma vez que está ligada ao sistema internacional. Com os problemas na Europa, o barril de petróleo disparou, junto a preocupações logística, o que contribuiu para alta dos preços no Brasil.

CD: Interessante, João. E em termos de números, o que você pode compartilhar sobre os valores de fretes?

JP: Então, Camila, os valores de fretes de grãos aumentaram consideravelmente no fim do primeiro semestre do ano, com algumas das rotas monitoradas pela Argus, inclusive, atingindo o maior nível desde que o levantamento de preços foi iniciado, em setembro de 2019.

Este foi o caso do frete nos corredores de exportação com destino aos portos do Sul e Sudeste. Na última semana de junho, a rota Rondonópolis-Santos atingiu preço médio de R$421/t, aumento de 116pc em relação ao mesmo período do ano anterior. Na rota Rondonópolis-Paranaguá, o frete atingiu R$408/t, alta de 109pc em relação ao ano anterior.

Inclusive, para quem nos ouve neste momento e quiser acompanhar o comportamento dos fretes de grãos, pode acessar o link www.argusmedia.com/pt/hubs/fretes-de-graos. Lá são publicados gratuitamente os preços de nove rotas de grãos que são monitoradas semanalmente pela Argus.

CD: Perfeito, João. E em outros corredores, qual foi a tendência dos fretes de grãos?

JP: Foi similar, Camila, com todos apresentando alta expressiva em seus fretes. No corredor destinado ao terminal ferroviário de Rondonópolis, o trecho Sorriso-Rondonópolis terminou a semana de 30 de junho com um preço médio de R$204/t - o nível mais alto registrado no levantamento de preços da Argus – e 73pc acima do mesmo período em 2021. O trecho Primavera do Leste-Rondonópolis teve um preço médio de R$92/t, crescimento de 61pc.

Para o Arco Norte, por meio da BR-163 até o ponto de transbordo para a hidrovia de Miritituba, no estado do Pará, foi registrada uma tendência semelhante. O trecho Sinop-Miritituba chegou a um preço de R$338/t, aumento de 85pc. A rota Sorriso-Miritituba atingiu a R$353/t - também o nível mais alto desde setembro de 2019 – crescimento de 86pc na comparação anual.

No trecho Querência-Palmeirante, com destino ao terminal ferroviário no estado de Tocantins e que segue até o porto do Itaqui no estado do Maranhão, o frete de grãos ficou em R$360/t na semana encerrada em 30 de junho, aumento de 71pc em relação ao ano anterior.

CD: Muito bacana, João. E para a sequência do ano, o que podemos esperar para os fretes de grãos com origem em Mato Grosso?

JP: Então, Camila. É um ano muito desafiador, que envolve eleições no Brasil. Há discussões no Congresso Nacional sobre auxílio aos caminhoneiros devido ao preço do diesel e controlar a inflação é um dos grandes desafios para o governo federal.

De maneira geral, espera-se que após o pico da demanda pelo serviço de transporte de milho, os fretes recuem entre julho e agosto. Importante pontuar que existem também tensões entre o governo federal e caminhoneiros.

Inclusive, há a preocupação de uma possível paralisação quando esses fretes de grãos caírem. De qualquer modo, em função principalmente do aumento do diesel, fretes de grãos na comparação anual, devem continuar apresentando variações significativas, sendo mais caros do quem períodos anteriores.

CD: Muito obrigada, João

Esse e os demais episódios do nosso podcast em português estão disponíveis no site da Argus em www.argusmedia.com/falando-de-mercado.

Visite a página para seguir acompanhando os acontecimentos que pautam os mercados globais de commodities e entender seus desobramentos no Brasil e na América Latina. Voltaremos em breve com mais uma edição do “Falando de Mercado”. Até logo!

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